16 fev, 2010
Test Drive #7 ‘CHRISTINE’ (Plymouth Fury 1958)
Postado por: Wellington Hendrix em: Teletela
A música de abertura do filme “Christine” diz no seu refrão: “bad to the bone”. Isso é pouco para descrever essa maravilha de carro. É maldade pura que vem de fábrica.
“CHRISTINE” ou um Plymouth Fury 1958 coupe é originalmente personagem do livro homônimo de Stephen King, sendo que esse filme foi uma das poucas adaptações dignas de seus livros. Dirigido pelo mestre John Carpenter, em 1983, traz como protagonista um carro com poderes malignos, que simplesmente “atropela” todos os clichés. Um carro com personalidade forte, vaidade e até mesmo ciumento e vingativo.
Comprado por um garoto de 17 anos, que resolve reformá-lo e aos poucos vai sendo tomado pelo “espírito” desse carro, chamado de “Christine”(pelo seu antigo dono que se suicidou dentro dele), fazendo-o mudar de personalidade completamente, passando até a “amar” doentiamente esse carro como se fosse uma namorada. E o carro por ciúme e vingança, passa a matar a quem atravessa a vida de seu novo e devoto dono.
Esse belo carro, foi criado pra concorrer com modelos mais esportivos da época como o Corvette e Thunderbird, sem perder o conforto dos carros grandes e sendo mais potente que seus concorrentes. Foram fabricados entre 1956 a 1958 e no ano seguinte a Plymouth, (que é uma sub divisão da Chrysler) resolveu investir pesado na imagem de “esportivo” do Fury mudando seu nome para “Sport Fury”.
O tempo foi passando, mas curiosamente o “Sport Fury” perdeu seu propósito se tornou um carro pra família, mesmo ganhando mais potencia a cada nova versão. Acabou sendo adotado também como carro da frota policial no inicio dos anos 60.
A Chrysler/ Plymouth foram pioneiras em certos quesitos que somente décadas depois se tornaram comercialmente viáveis e adotadas por muitas outras montadoras. Um exemplo disso é a injeção eletrônica, que nos anos 50 foi recebido com desconfiança e não vingou, e a outra foi a chave de ignição em forma de cartão, modernosa até para os dias atuais.
DETALHES TÉCNICOS:
*Motor: Golden Commando V8, de 5,75 litros (350 pol/cb), 305/HP a 5.000 rpm, (ou 315/HP com injeção de combustível).
* Velocidade: 150 mph (ou aproximadamente 241 km/h)
* 0 – 100 km/h em 7.7 segundos
* Torque/ rpm: 370/ 3600 e taxa de compressão de 9,25:1.
* Câmbio: automático “TorqueFlite”
* Direção: “Warm Roller” e Radio AM de fabrica
* Dimensões: 5m (comprimento) – 1.35m (altura) – 2m (largura) – 1,5 Ton (peso)
* Pneus: Goodyear 7.50 – 14/W - diâmetro 14×6 pol.
* Valor de mercado em 1958: 3 mil dólares,
* Valor de mercado hoje: 23 mil dolares. (no filme foi adquirido por 250 dólares em estado lastimável de conservação) e arrematado por 39 mil dólares num site de leilões.
* Foram produzidas apenas 5303 unidades do Plymouth Fury, o que provocou revolta dos amantes de carro já que nas filmagens foram usados 16 carros e TODOS destruídos nas filmagens.
* A maravilhosa cena onde Christine sai em chamas pela estrada tentando atropelar uma pessoa inspirou o clip de Karma Police do Radiohead.
* No livro, o Plymouth Fury tinha quatro portas, mas a linha Fury de 1956 a 1958 tinha apenas duas portas. Somente em 1959 é que foram fabricados modelos 4 portas.
* No filme o carro tem um “door lock” (trava), mas nenhum dos modelos Fury possuía esse opcional. Para travá-la bastava girar a maçaneta no sentido anti-horario, como os velhos Fuscas.
*A cor vermelha só existe no filme/livro e por encomenda, pois não foram fabricados em série nenhum nessa cor.
AVALIAÇÃO:
Já vimos de tudo: carros com inteligência artificial, carros que viajam no tempo, carros fanfarrões, mas esse tem personalidade forte e poder de auto reconstrução… é assim que aparece na trama quando ele é destruído, se auto restaurando movido por uma força espiritual maligna opcional de fábrica. Uma pérola temperamental. Uma espécie de namorada sobre rodas. Complicada e perfeitinha.
Ter um carro como Christine é igual namorar mulher bonita, ou seja, se quer estar com ela (de bom humor) tem que se dedicar completamente a ela, fazer suas vontades e nem pensar em olhar pro lado, senão seu espírito “evil” aflora e você (e quem tiver por perto) se lasca.
Um belíssimo carro.
“Mostra pra mim Christine”.




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