15 set, 2009

Superchance do MAC

Postado por: Rodrigo Gerdulli em: Esporte

cobranca de penalty Superchance do MAC
Local: Marília-SP.
Data: 13 de agosto de 2008.
Quando: Intervalo de Marília 3×1 Bahia, Campeonato Brasileiro da Série B.
Evento: Superchance do MAC.
Prêmio: R$ 900,00.

Em 2007, a diretoria do Marília, para incentivar a presença de público e entreter a galera nos intervalos dos jogos, criou o Superchance do MAC. Era tão bacana, que durou até o final de 2008.

Funcionava da seguinte forma, antes do início da partida o Tigrão, mascote do time, selecionava seis torcedores que, no intervalo, entravam no campo, faziam uma graça e batiam um pênalti. A intenção era acertar qualquer um dos dois ângulos superiores do gol, o qual contava com um tampão. A abertura em tais ângulos era quadrada e pequena, o suficiente apenas para passar a bola com um mínimo de folga. Quem a fizesse entrar, ganhava o prêmio acumulado. A cada jogo, aumentava em R$ 100,00.

Desde o primeiro dia da brincadeira, meu sonho era ser escolhido pelo Tigrão. E eu tinha muita, muita chance de levar o prêmio. Afinal, nunca fui craque, mas sempre bati bem na bola. Tanto que quando jogava pra valer na minha adolescência, nas categorias de base do Marília, com o intuito de um dia ser profissional, era eu o cobrador oficial de faltas e de pênaltis da minha equipe.

A preparação

Minha convicção de que seria escolhido para o Superchance era tão grande que passei a treinar as cobranças. Na chácara do meu tio, todos os sábados eu amarrava a tampa de uma bacia no ângulo esquerdo do gol. Mirava, chutava e na grande maioria das vezes acertava em cheio. Já estava se tornando fácil. Tão fácil que passei a ficar com aquela confiança arrogante, de que seria impossível, na hora, não levar o prêmio.

O grande dia

Como sempre chegava poucos minutos antes do apito inicial, desconfiei que o pessoal escolhido costumava chegar no estádio 40 minutos antes do início da partida. Logo, 19:50 eu já estava na Geral. Fui com o uniforme do time, uma estrela que piscava pendurava no pescoço e uma bandeira do time, tudo para chamar a atenção.

Quando vi o Tigrão e o locutor apontando para os escolhidos, senti que meu destino estava próximo. Eu estava do lado oposto da Geral e comecei a me preparar psicologicamente para passar um ridículo quando eles se aproximassem. Dito e feito, fiquei em pé, pulando, gritando, com a estrela piscando no pescoço e chacoalhando a bandeira.

Valeu a pena, fui o último a ser escolhido!

Durante o primeiro tempo do jogo, não consegui me concentrar direito, tamanha a ansiedade. E os amigos surgiam o tempo todo me parabenizando e desejando boa sorte. Até aí, tudo bem, mas alguns vinham com dicas de como obter sucesso.

“Não tome muita distância.” “Tome muita distância.” “Bata de rosca na bola.” “Tem que encher o pé.” “Chutar de pico é o segredo.” “Colocadinha, cara!” “Tenta de trivela.”

Isso me desconcentrava. Já nem me lembrava mais de como estava treinando na chácara, mas desconfiava que chutava com rosca (para os alienados, é quando você chuta usando a parte do pé voltava para dentro, fazendo-a girar e ganhar uma curva de fora para dentro).

O momento

Intervalo, dirigi-me ao portão de acesso ao campo, recebendo trocentos tapinhas nas costas e várias outras dicas. Decidi não dar ouvidos a ninguém e recuperar minha arrogância de quem estava muito bem treinado e preparado.

Eu seria o penúltimo a bater. A cada tentativa dos meus concorrentes, insucessos, e meu sorrisinho de canto, discreto. Virei para o último candidato e falei:

— Esse povo é muito ruim. Nunca chutaram uma bola na vida.

Chegou minha vez, o locutor fez sua graça, mas nada que tirasse meu foco. Ajeitei a bola com todo o carinho, cuidando para o pino ficar na posição correta. Mirei o ângulo, respirei fundo e parti para ataque.

O resultado você confere clicando a seguir:

Imagem de Amostra do You Tube

Se eu pego o desgraçado que fez a filmagem e a divulgação

A bola ficou presa debaixo da placa que tampava o gol. Para retirá-la, deu o maior trabalho. O estádio inteiro vaiou. A maior vergonha da minha vida.

E ainda tem:



10 Comentários em "Superchance do MAC"

1 | Alemão

setembro 15th, 2009 às 08:14

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kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
Isso ta longe de ser um ângulo… mas pelo menos nessa história eu acredito.

2 | Antonio P.

setembro 15th, 2009 às 14:47

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HUAUHUAUHUAUHUAUHUAUHUAUHUAUHUAUHUAUHUAUHUAUHUAUHUAUHUAUHUAUHUAUHUAUHUAUHUAUHUAUHUAUHUAU

nessa história eu acredito.[2]

3 | Christiano Parra

setembro 16th, 2009 às 11:51

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hahahahahahahahahahahaha… conta a parte onde saiu xingando a torcida rival.. hahahahahaha

4 | Rodrigo Gerdulli

setembro 16th, 2009 às 12:59

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Verdade, Chris!
Eu estava com o moral baixo, sendo vaiado pela minha própria torcida. Para reverter a situação, fui em direção à torcida do Bahia, que estava no tobogã atrás daquele gol.
Mostrei o distintivo do MAC pra eles, mostrei o dedo, xinguei aos montes. Só parei porque meu ato gerou o maior auê e os seguranças vieram me pegar. Daí, fugi.

5 | Tourinho

setembro 16th, 2009 às 13:26

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O Bahia é bicampeão brasileiro. Chupa.

6 | Rodrigo Gerdulli

setembro 16th, 2009 às 16:14

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Bom, pode ter vencido o Brasileiro 1 vez e ter outro título obscuro nacional… mas que é freguês do Marília, é!!

7 | Tourinho

setembro 16th, 2009 às 16:45

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Outro título obscuro nacional? Fomos os primeiros campeões brasileiros (pois a Taça Brasil na época era o campeonato Brasileiro sim) em cima do Santos de Pelé, além de ter sido o primeiro clube brasileiro na Libertadores!

8 | Bruninho

setembro 16th, 2009 às 16:48

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to tentando imaginar o Rodrigo xingando……..n consigo, proximo post por favor

9 | Rodrigo Gerdulli

setembro 16th, 2009 às 21:08

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O vasco foi campeão da Copa João Havelange, não do Brasileirão.
o Baêa foi campeão da Copa Brasil, não do Brasileirão. Isso não tira os méritos da conquista, mas uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa.

10 | Tourinho

setembro 17th, 2009 às 00:31

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Bem, o assunto tá na CBF, pra ser estudado. Como antes de 1971, os clubes brasileiros que disputavam Libertadores eram os campeões da Taça Brasil, nada mais justo que unificar os títulos.
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