E aí, pessoal! Aqui é o Rodrigo Gerdulli, o popular Duro na Queda, e toda terça-feira estarei aqui, na coluna Futebol do Underground. Acostumem-se, pois falaremos apenas sobre que acontece longe do glamour e dos holofotes futebolísticos.
Entre outros causos, este ocorreu no dia 21 de janeiro de 2004, data da estreia do Marília no Paulistão, contra o Guarani, em Campinas. Fui para lá com um colega do trabalho, o Leandro, outro maqueano fanático, e, após uma reunião em uma empresa, assistiríamos à partida. Nosso compromisso acabou muito antes do previsto. Como não havia o que fazer, passamos praticamente a tarde toda comendo porcarias pela cidade.
Às 20 horas, dirigimo-nos ao estádio Brinco de Ouro devidamente uniformizados. Fomos singelamente insultados pela torcida brugrina na bilheteria, mas nada que tirasse nosso entusiasmo. Adentramos o estádio e nos surpreendemos, pois demos de cara com vários outros maqueanos. Fizeram aquela festa toda, até parecia que nos conhecíamos de longa data.
A partida foi bacana. Saímos na frente no placar, mas eles empataram. Tudo bem, arrancar um ponto fora de casa não é de todo mal. E, durante a partida, comprávamos tudo o que passavam vendendo. Amendoim, pipoca, churros… tudo! Incrível é que na saída do estádio, misteriosamente, ainda sentíamos fome. Como havia um bom tempo até pegarmos o ônibus de volta para Marília, resolvemos jantar, mas alguma coisa leve. Procuramos por uma barraquinha qualquer e o Leandro avistou adiante alguém vendendo cachorro-quente.
— Dois caprichados, por favor — pedimos ao rapaz.
Interessante, o cara da barraquinha não tinha um braço, só o toco. Mas, ele deu um jeito. Acho maravilhoso quando um deficiente físico supera as barreiras e leva uma vida normal. Por exemplo, esse comerciante realizou o seguinte procedimento para preparar o nosso saboroso jantar:
• tirou o pão de uma sacola de supermercado;
• encaixou-o entre o tórax suado e o toco do braço peludo;
• passou a faça, cortando-o ao meio;
• jogou todos os ingredientes dentro;
• comprimiu o pão utilizando o toco peludo e o tórax.
— Vão querer mostarda?
— Gulp! Foda-se. Põe aí…
E lascou mostarda tanto no cachorro-quente quanto no toco do braço. O interessante é que, depois de tudo isso, colocou o lanche em um saquinho. Talvez para passar uma sensação de higiene.
Comemos; já estava pago… Nem dá nada! Afinal, lá em Marília nunca ouvimos falar de alguém que tivesse morrido comendo cachorro-quente naquela barraquinha. Pior que estava gostoso! Melhor não lembrar se haveria algum tempero especial.
Chegamos à rodoviária e, para tirarmos da lembrança a refeição suspeitíssima, decidimos comer qualquer coisa. Pedimos o tradicional croquete de rodoviária.
— Um para cada. Não, dois!
Melhor garantir, para não passarmos fome dentro do ônibus. E começamos a comer.
Achei estranho, tinha um sabor diferente. Mas, pensei o seguinte, se o Leandro estava comendo numa boa, o problema estava no meu paladar, provavelmente já danificado. Evitei me concentrar no sabor.
Terminamos, ufa!, e nos dirigimos à nossa plataforma. No caminho, o desgraçado do Leandro disse:
— Acho que a minha boca ficou estranha depois do cachorro-quente. Foi difícil engolir aqueles croquetes. Para mim, estava com gosto de estragado, mas como você não disse…
— Oh, não!
Entregamos nosso bilhete ao cobrador e corremos ao fundo do ônibus para ver se o banheiro nos daria totais condições de encarar aquela viagem de volta, que prometia fortes emoções.



Comentários Recentes
3rd set 10
Pow muito bom o cast, como sempre vlw mesmo a espera! E eu que pensei que vocês ja tinha pirado no ...
2nd set 10
Cacete.. só vi isso agora. Pior que é a terceira edição, e eu nem sabia que houve duas antes... nhah!
2nd set 10
Sou ouvinte antigo, mas nunca comentei. Falha minha, corrigindo agora. Gostei muito desse episódio, da mesma forma que gostei dos anteriores. ...
1st set 10
Cadê mais episodios??? mais de mês sem tosco x.x
1st set 10
Peguei esse emprestado do Perna e não li até o fim. Não tava no clima. Livros tem dessas. Ainda leio-o.